sexta-feira, 17 de outubro de 2008

***SAUDOSA PANTANEIRA***




***SAUDOSA PANTANEIRA***

Em frente ao seu teclado, mui saudosa a pantaneira
Relembra o som enrolado, que faz agora a betoneira
Chora, chora a saracura, com as canelas mergulhadas
E grita: -- Ninguém segura, as minhas pernas molhadas

O gavião caramujeiro, pousado no toco de pau
Rastreia com olhar ligeiro, o seu manjar sem igual
Cadê a trilha do rio, que serpenteia ao redor
Ouço o canto do canário, que ecoa no arredor

O pacu e o bagre pintado, e a coruja buraqueira
No barranco encostado, escutam a louca pieira
É no verde desta mata, que acompanha o rio
É ali que se retrata, a bicharada no cio

E a brisa pantaneira, desta mata imaculada
Lá no alto da palmeira, grita, a caturrita chocada
E no meio da estrada, vai correndo bem ligeira
A bela onça pintada, que sai levantando a poeira

Aporta na ribanceira, a nossa velha chalana
Se espalha pela esteira, que parece terra plana
Por amor ao pantaneiro, há de ser sempre lembrado
O nosso bravio vaqueiro, pelo espinho guasqueado

A parte mais funda do rio, lugar de difícil acesso
O vaqueiro em seu desafio, atravessa o progresso
Ao relembrar minha infância e o meu sonho embalado
Era sempre uma constância, o miar do gato pardo

É tanta coisa bonita, que tem o meu pantanal
Desde a onça chita, a gritar no meu quintal
Jacaré foge ligeiro, corre pra água encantada
Espera o veado campeiro, para dar uma bocada

Tuiuiús empoleirados, em grandes ninhos gentis
Feitos de galhos quebrados e parecem tão sutis
Um sol de causar inveja, à vitória régia beijando
E o orvalho esbraveja e fica nela pingando

O tear era perfeito, das aranhas caranguejeiras
Que pegam logo de jeito, os manjares bem ligeiras
O canto da saparia, o assovio dos bugios
Eram mais que gritaria, do que berro de bravios

A lesma mui vagarosa e a serpente encantada
Em sua prosa gosmosa, olham chorosa boiada
E os cantos dos cardeais, só poesias mais nada
Pelos ventos outonais esperando a invernada

E o papagaio faceiro, repetia bem ou mal
O nome da bicharada, do meu lindo pantanal
Calça de couro e laço, botas cavalo e cão
Desse vaqueiro eu faço, o herói do meu sertão

Ao longe escuto o berrante, que acalma e consola
Apenas por um instante, o esperar que nos assola
E assim chega festeiro, de uma vida alvissareira
E cante logo violeiro, a sua viagem estradeira

E a morena cor de mel, que espera ao pé do fogão
Com o coração á tropel, lhe puxa firme na mão
Retirando-lhe a perneira, o cinto e o facão
Oferece-lhe, a farofeira arroz e muito feijão

E Vai chegando o verão, choro eu e o mundo inteiro
As terras inundarão.....
“Saudades do Pantaneiro!”


***RosaMel***

10 comentários:

Mírian Warttusch disse...

Mas isto é tua obra prima, amiga!

Superaste o teu poder de criação.

Parabéns, nem é preciso dizer mais,
disseste tudo, minha flor!

Grande e enorme beijo

* disse...

Rosinha, vc descreveu um cenário maravilhoso! Quem nunca esteve num pantanal, como eu, se viu lá, vislumbrando a fauna, a flora, a peleja dos pantaneiros...
Seu texto é lindooooooooooooo... E nem se "avexe" com o tamanho não! Um poema pode ser grande se o poeta tem o que dizer nele!!!!!
EU AMEI!!!!!! PARABÉNS!!!!!!!!!!

gilson disse...

Definir a Saudade é bem complicado mas quando se trata de uma Poetisa da tua categoria e talento, fica até fácil demais...emocionante o seu relato, mais emocionante ainda contado em verso e prosa!
Parabéns, menina!
Grande beijo!

Camélia disse...

Nossa!!!Que enredo hem?

Uma verdadeira história em versos!!!

Até senti saudades
Dos lugares que não passei,
Escrevestes as verdades
Deste pantanal, que sei....
...Beijos.....

Meus poemas! disse...

Mel sem comentários...
adorei!!!
Minha linda amiga,
Como você eu amo, a natureza.
Que Deus cada dia mais te ilumine.
Parabéns querida...
Muito lindo!!
Um beijo.
Beth.

Osvaldo Heinze disse...

Querida amiga...
Não sabia que eras assim tão achegada às coisas do mato? Que bela mulher tu és: Gosta de flor e de jacarés...
Também adoro as coisas de Deus e quem sabe qualquer dia desses possamos juntar teus passos aos meus e caminhar por essas bandas desse teu magnífico poema, vivendo nessa vida sem problema?!
Parabéns flor Rosa rosa rosada pela tua poesia tão bem rimada!
Beijos!!!

Aurea Charpinel disse...

Que maravilha de poema, amiga!!!
Você fez aumentar o meu desejo de conhecer o Pantanal, rss, achei delicioso passear nos seus versos em meio a tanta beleza.
Não sei se você conhece a comunidade "Poesia Regional", no orkut. Lá as regiões não são divididas geograficamente, mas pelos aspectos culturais. Cada uma recebe um título, acho que o Pantanal está na região "Viola". Se quiser aderir e postar lá o seu lindo poema o Marco vai adorar, é dono da comunidade.
Vou deixar o link pra você, está bem?

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=26157546

Parabéns pelo seu enorme talento, amiga!
Beijos,
Aurea.

Edna disse...

Nossa sem comentarios,Falou melhor
que eu que tenho conhecimento de tudo isso

Ilnea disse...

Olá, amiga
Passeei pelo teu poema, bebi das paisagens descritas... sonhei ( não conheço o pantanal...ainda). Mas o que ficou claro para mim foi tua alma trovadora: cada verso, dois versos, cada duas estrofes, duas trovas.
Heptasílabas...como exige o figurino; rimas intercaladas: "é 10!" Olha só:

E Vai chegando o verão,
choro eu e o mundo inteiro
As terras inundarão.....
“Saudades do Pantaneiro!”

Abraço grande,
I

Arcano XIII disse...

Muito bom, parabéns :)

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